Empresas de petróleo chinesas tomando conta do Iraque

As empresas petrolíferas ocidentais começaram a se retirar do Iraque central e meridional e estão sendo substituídas por empresas chinesas após ataques terroristas contra instalações e relatos de extorsão de tribos, milícias e funcionários burocráticos em instituições estatais.

De acordo com o jornalista Salam Zidane, enquanto as empresas ocidentais pensam em sair totalmente, o Iraque suspendeu seus planos de aumentar os investimentos em campos de petróleo em desenvolvimento devido à falta de demanda nos mercados globais.

Isso ocorre no momento em que o Iraque e 22 outros estados membros do grupo OPEP + concordaram no domingo em aumentar a produção de petróleo em 400.000 barris por dia a partir do próximo mês.

Segundo o que admitiu o Ministro do Petróleo Ihsan Abdul Jabbar em 30 de junho que o ambiente de investimento e segurança no país se deteriorou, obrigando as empresas petrolíferas globais a reconsiderar suas posições.

As principais empresas de petróleo BP e LUKOIL estão considerando interromper as operações no Iraque, afirmou Ihsan Abdul ao parlamento iraquiano recentemente em 4 de julho.

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Abdul alega que as empresas chinesas querem comprar as ações das empresas que buscam outro mercado e que um subcontratado chinês trabalhando em um dos campos de petróleo ocidentais tem mais lucro do que a Exxon Mobil.

Desde que o acordo iraquiano-chinês foi assinado sob o governo de Adel Abdul Mahdi em 2019, as empresas petrolíferas ocidentais enfrentaram repetidos ataques de mísseis e, em Nasiriyah, suas sedes foram sitiadas e fechadas por residentes próximos e novos graduados em busca de oportunidades de emprego. Essa oposição levou à paralisação da produção em alguns campos de petróleo.

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Forças anti-terrorismo iraquianas. Associated Press

Ihsan al-Attar, um outro funcionário do Ministério do Petróleo que faz parte do comitê que regula o licenciamento do petróleo, disse que o ambiente de investimento no sul e centro do Iraque é inadequado e hostil aos investidores, e alguns residentes locais consideram as empresas petrolíferas como “colonialistas”, tocando um nervo nacionalista de longa data na política e na sociedade iraquiana.

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Ritzau Scanpix/Reuters/Essam Al-Sudani

O funcionário observou que os trabalhadores estrangeiros não podem andar com segurança nas ruas das cidades sem escolta e que seus locais de trabalho e moradia devem ser protegidos por empresas de segurança continuamente.

Como resultado, acrescentou, muitos trabalhadores estrangeiros se recusam a vir para o Iraque e, portanto, o Ministério do Petróleo deve gastar milhões de dólares por mês em custos adicionais, como altos salários e transporte para atrair trabalhadores, bem como contratos com empresas de segurança e seguro de vida, que Attar disse chegar a US$ 1 milhão por pessoa despendido pelo Ministério iraquiano.

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Nabil al-Jurani/AP

Attar afirma ainda que empresas ocidentais, como Shell, Exxon Mobil e outras, estão atualmente deixando o sul do Iraque e sendo substituídas por empresas chinesas que têm padrões mais flexíveis do que as empresas ocidentais, e indicou que o ambiente do Iraque se tornou hostil às empresas americanas e europeias, o que desencoraja empresas de todo o mundo de investir no país e afeta outros setores econômicos além do petróleo.

O Iraque exporta mais de 30% de seu petróleo para a China e é o terceiro maior exportador para a China, depois da Arábia Saudita e da Rússia.

O membro do Comitê de Integridade Parlamentar Youssef al-Kalabi disse durante uma sessão que recebeu o Ministro do Petróleo que o embaixador chinês em Bagdá está interferindo descaradamente no trabalho do Ministério do Petróleo e em questões não relacionadas à diplomacia ou à proteção dos cidadãos de seu país.

Ele não forneceu detalhes sobre a suposta interferência. Kalabi observou que o parlamento pediu ao Ministério das Relações Exteriores que parasse de qualquer interferência do embaixador chinês nos trabalhos do Ministério do Petróleo, além disso, um oficial de inteligência chinês que trabalhava em um dos campos de extração, suspeito de corrupção e proibido de entrar no Iraque, foi trazido pelo embaixador chinês no Iraque.

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Spc. Samantha Ciaramitaro

As empresas chinesas estão ganhando terreno no setor de energia, com a refinaria Al-Faw sendo concedida a uma coalizão de empresas chinesas a um custo de US$ 7 bilhões.

O governo chinês financiará as operações da refinaria, e sua empresas também estão trabalhando como principais ou subcontratadas em 15 campos de petróleo no sul do Iraque, que possui 78 campos de petróleo que a China deseja desenvolver.

A China expandi seus tentáculos com notória articulação entre governos, aproveitando oportunidades e brechas deixadas pelos governos e empresas do ocidente. Após o anúncio de retirada das tropas americanas no Afeganistão e a redução no Iraque, a China evidenciou a necessidade de enviar “tropas de paz” com base em suas experiências no Continente Africano.

Com informações complementares Al-Monitor, via Redação Área Militar



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