Eventual presença de PMCs russos no Mali gera discórdia entre França e Rússia

Um dos tópicos importantes para discussão na Assembleia Geral da ONU foi a situação no Mali, onde as autoridades locais foram deixadas sozinhas com a ameaça terrorista após a decisão da França de encerrar a Operação Barkhane e retirar suas tropas.

A situação ao bem dizer já não era boa a muito tempo pois apesar do bom trabalho conduzido pelos militares franceses, a ingerência do governo Macron com suas negociações pouco esclarecidas com os grupos terroristas deixaram as autoridades do Mali desconfiadas e assom os integrantes do novo governo militar resolveram negociar com a Rússia, um dos principais concorrentes da França na África.

A linha vermelha do destrato entre França e Mali, e que também serviu como um dos grandes argumentos para estragar as relações entre os dois países foi a negociação que levou a libertar mais de cem terroristas islâmicos en troca de uma refém francesa Sophie Pétronin (esta uma colaboradora simpatizante dos terroristas islâmicos) em outubro de 2020.

Governo do Mali negociando serviços do Wagner Group

Em 25 de setembro, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, confirmou que Mali estaria negociando com uma das empresas militares privadas russas para ajudar na luta contra o terrorismo, observando que o governo russo não tem nada a ver com esta questão.

“Eles apelaram para uma empresa militar privada da Rússia pelo fato de que, pelo que entendi, a França quer reduzir significativamente seu contingente militar, que estava lá e, como todos sabem, teve que lutar contra terroristas”, disse Lavrov.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia concluiu que os militares franceses no Mali “não tiveram sucesso e os terroristas ainda comandam o show lá”. Lavrov esclareceu que as autoridades do Mali avaliaram suas próprias habilidades na luta contra o terrorismo como insuficientes e decidiram recorrer às PMCs russas por motivos legais.

Negando o envolvimento do Kremlin em uma intermediação entre o governo do Mali e as empresas russas de PMCs, Lavrov acrescentou que Moscou apenas ofereceu apoio estatal ao Mali para garantir sua capacidade de defesa. Em particular, fornecer equipamento técnico-militar e participação em missões de manutenção da paz no âmbito do Conselho de Segurança da ONU.

Em um de seus discursos, Lavrov enfatizou a retórica indecente das autoridades da UE sobre a questão africana.

“… Como me disse Josep Borrel:“ É melhor você não trabalhar na África, este é o nosso lugar ”. Isso é exatamente o que ele disse. Seria melhor sincronizar as ações da União Europeia e da Rússia na luta contra o terrorismo na região do Saara-Sahel. E dizer: “Eu sou o primeiro aqui, então você sai” é, em primeiro lugar, um insulto ao governo de Bamako, que convidou parceiros externos, e em segundo lugar, é impossível falar com ninguém desta forma ”, concluiu Lavrov.

PMCs russos no Mali: outro ponto de discórdia entre Paris e Moscou

Por sua vez, o primeiro-ministro do Mali, Kokalla Maiga, confirmou que a França forçou o Mali a “preencher o vazio” no combate aos terroristas após a retirada das suas tropas.

Ele ressaltou que a França tomou uma decisão unilateral sem o consentimento da ONU e do governo do Mali. Seu país não tem escolha , de acordo com o primeiro-ministro.

“O Mali lamenta que o princípio da consulta e coordenação, que deveria ser a regra entre os parceiros privilegiados, não tenha sido observado antes de a decisão ser tomada pelo governo francês”, acrescentou o Primeiro-Ministro.

Governo do Mali negociando serviços do Wagner Group

Paris já ameaçou Moscou com “graves consequências” se o “Grupo Wagner” for implantado no país africano

Na véspera da 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU, o Ministro da Europa e Relações Exteriores Jean-Yves Le Drian se reuniu com seu homólogo russo, Sergey Lavrov, onde, além de Mali, discutiram uma série de tópicos relacionados com a crises, em particular no Afeganistão, Líbia e Ucrânia, bem como a questão iraniana.

Durante as negociações com o seu homólogo do governo de transição do Mali, a Ministra da Defesa francesa, Florence Parly, ameaçou Bamako com isolamento internacional no caso da contratação das empresas PMCs russas.

As tropas francesas lutam contra o terrorismo no Mali desde 2013, quando a França lançou uma operação militar no norte do país a pedido das autoridades malianas. Eles estavam lutando contra as tribos tuaregues e os grupos ligados à Al-Qaeda. Em 2014, a zona de operações foi estendida para Burkina Faso, Mauritânia, Níger e Chade e a Operação Barkhane foi lançada.

Após os golpes militares no país, o último dos quais ocorreu em maio, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou que a França estava encerrando a Operação Barkhane no Sahel africano. Em vez das tropas francesas, deve ser criada uma aliança internacional que incluirá os estados da região.

Levando em consideração a ineficácia da luta de longo prazo contra o terrorismo no Sahel da África, não é surpresa que as autoridades locais estejam pedindo ajuda às empresas de PMCs russas, pois já provaram sua viabilidade no treinamento de forças locais e na proteção de autoridades em vários países africanos. países.

É por esta razão que as autoridades da Guiné Equatorial recentemente também se voltaram para os PMCs russos em busca de ajuda, mas sem sucesso devido a má fama do presidente dessa nação.

  • Com informações France Inter, STFH Analysis & Intelligence, Voice of Europe, TASS, via redação Orbis Defense Europe/Genebra.




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