Israel atacou o Reator Nuclear do Iraque em 1981

Uma coleção de documentos secretos dos Estados Unidos divulgados recentemente por uma organização de Washington sugere fortemente que as ambições nucleares do Iraque já haviam sido secretamente “contidas” pelos europeus que estavam construindo um reator de pesquisa em Osirak, no Iraque.

Os documentos, obtidos pelo Arquivo de Segurança Nacional com sede em Washington por meio de solicitações da Lei de Liberdade de Informação, incluem autoridades da Casa Branca, Departamento de Estado e da CIA que resumem as principais interações diplomáticas e políticas que precederam a um evento perigoso no Iraque. Eles também mostram tentativas de autoridades americanas de lidar com as consequências.

A França há muito insistia que o projeto da usina nuclear que estava construindo tornava impossível o retrofit para produzir material físsil para uma bomba. Mas um documento altamente confidencial no tesouro diz que Paris foi ainda mais longe.

O relatório mostra pela primeira vez um encontro em Paris em 25 de julho de 1980 entre diplomatas americanos e um alto funcionário francês de não proliferação, que insistia em sigilo absoluto, sobre os embarques de urânio para o Iraque.

blank

O oficial disse que os materiais foram secretamente alterados quimicamente pelo ocidente para torná-los inúteis para o uso de armas, enfatizando que os próprios iraquianos desconheciam quaisquer das medidas preventivas que os franceses estavam tomando.

Uma das alterações realizadas pelos franceses era pré-irradiar qualquer urânio enriquecido que enviaria ao Iraque, tornando-o “não utilizável como material de armamento”.

blank

Outras precauções menos controversas incluíam permitir apenas um carregamento de urânio para o reator por vez, manter a presença francesa em Osirak o tempo todo e garantir que os técnicos franceses monitorassem o urânio enriquecido durante o transporte.

Mas um documento marcado como secreto sugere que havia preocupações de que empreiteiros italianos e franceses estivessem competindo para vender armas ao Iraque. Havia preocupações de que a Itália, em particular, tentasse adoçar qualquer acordo incluindo tecnologia nuclear avançada como parte de suas ofertas.

blank

Dias depois do início da guerra Irã-Iraque, as forças armadas iraquianas invadiram o local de Osirak, aumentando as preocupações sobre as intenções finais de Bagdá.

“As autoridades francesas ainda estão no local e têm acesso ao combustível lá? Qual é o estado do combustível?” exigia um telegrama do Departamento de Estado dos EUA de 11 de outubro em 1980, de Washington para Paris.

Outros documentos apontam para a preocupação de autoridades americanas de que o Iraque estava vasculhando o globo em busca de material nuclear sensível.

Em 20 de janeiro de 1981, um novo governo assumiu em Washington sob a liderança do presidente Ronald Reagan. Há uma lacuna nos documentos que pode sugerir que a nova administração não compreendeu a urgência do assunto e os riscos envolvidos.

As autoridades americanas na época estavam preocupadas não apenas com a busca por armas no Iraque, mas também com a possibilidade de Israel provocar uma guerra mais ampla atacando Osirak.

blank

Sendo assim, a quatro décadas atrás, um esquadrão de caças israelenses composto por 8 caças F16 e 6 F15 em missão secreta sobrevoou o espaço aéreo da Arábia Saudita e atacou o reator nuclear iraquiano de Osirak que estava sendo construído por engenheiros franceses e italianos nos arredores de Bagdá.

blank

Foi um ataque surpresa elogiado pelos defensores de Israel e citado como um exemplo de coragem eficaz. Pelo menos 10 soldados iraquianos e um civil francês foram mortos no ataque israelense.

Além disso, o ataque de 7 de junho de 1981, conhecido pelo codinome de Operação Opera, pode ter realmente encorajado o então governante iraquiano Saddam Hussein a intensificar sua busca por armas de destruição em massa.

blank

Oficiais sauditas disseram aos americanos que estavam furiosos porque Israel havia usado seu território para chegar ao Iraque, com os pilotos israelenses sinalizando falsamente que eram jordanianos.

Uma ata da reunião da Casa Branca mostrava uma autoridade saudita nominalmente redigida por segurança dissera a um homólogo americano que “esta é uma das situações mais perigosas que a Arábia Saudita já enfrentou”.

Washington exigiu respostas de Israel sobre a inteligência específica antecipada que possuía sobre o trabalho com armas sendo conduzido em Osirak, mas Israel só respondeu com vagas hipóteses de cenário.

As autoridades americanas não conseguiram encontrar evidências de alegações de israelenses sobre um “bunker secreto” em Osirak que seria usado para o trabalho com armas e que pudesse torna-lo alvo de ataque.

blank

Reagan reagiu ao ataque duramente no início, suspendendo algumas vendas de armas a Israel e cooperando com o Iraque na elaboração de uma condenação da ONU.

Porém, outras autoridades recuaram. Um memorando preparado para o presidente pelo neoconservador funcionário da Casa Branca Douglas Feith, que 22 anos depois emergiu como um dos principais arquitetos da invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003 culpou o predecessor de Reagan, Jimmy Carter, pela crise e exortou o governo a não criticar o então primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin.

O Iraque, signatário do Tratado de Não Proliferação, foi obrigado a abrir suas instalações nucleares à inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica.

blank

Mas o ataque israelense a Osirak, junto com a guerra em curso entre o Irã e o Iraque, encerrou a cooperação do Iraque com as empresas nucleares europeias, levando o programa à clandestinidade.

The National Security Archieve – The George Washington University, The Independent, The New York Times, JSTOR, via Redação Área Militar



blank

Be the first to comment on "Israel atacou o Reator Nuclear do Iraque em 1981"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*