O porquê de Joe Biden recusar o envio de tropas ao Haiti

O governo interino do Haiti, na semana passada, pediu aos EUA e às Nações Unidas que enviassem tropas para proteger as principais infraestruturas do país após o assassinato do presidente Jovenel Moïse.

Mathias Pierre, ministro das eleições do Haiti, disse na quinta-feira passada que acredita que o pedido de tropas dos EUA é relevante, dado o que ele chamou de “situação frágil” e a necessidade de criar um ambiente seguro para as eleições programadas para 120 dias.

Ocorre que, em Porto Príncipe, os EUA possuem a Embaixada altamente recheada de informações confidenciais e sensíveis sobre a região caribenha, e como o Haiti se comporta como nação trampolim das operações secretas americanas, a unidade possui grande interesse de inimigos, principalmente da ilha mais isolada a 94 km de distância, Cuba.

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Como a situação envolve mecanismos diplomáticos e risco à segurança nacional, a Nível de Comando de Operações Especiais Conjuntas, Comando de Operações Especiais Americano e Divisão de Atividades Especiais da CIA, Biden permitiu o envio de um pequeno número de operadores especiais e agentes e analistas federais especialistas de campo para reforçar a segurança de sua embaixada no Haiti, embora não seja incomum para os americanos o envio de forças militares adicionais, incluindo fuzileiros navais, para suas embaixadas ao redor do mundo durante tempos de crise, a implantação destaca o nível de incerteza após a morte de Moise.

A solicitação de contenção de crise na Embaixada não tem meios, exemplos ou semelhanças com a Operação Eagle Claw ocorrida no Irã em 24 de abril de 1980, entretanto carrega de experiência passada.

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Na ocasião de 1980, as Forças Armadas Americanas, a então e recente Delta Force, recebeu ordem direta do presidente Jimmy Carter para encerrar com a crise de reféns no Irã resgatando 52 funcionários da Embaixada Americana mantidos em cativeiro em Teerã, porém sem sucesso.

CHANDAN KHANNA / AFP

A operação clandestina que ceifou Moise em 7 de julho por um esquadrão de atiradores em sua casa em Porto Príncipe lançou o Haiti ainda mais em uma já violenta crise política.

Segundo autoridades que preferiram o anonimato, menos de uma dúzia de funcionários americanos foram destacados nos dias após o ataque e que não ficou imediatamente claro quantos já haviam retornado aos Estados Unidos.

Diante da solicitação do governo haitiano, Biden sinalizou que não estava aberto ao pedido, que veio enquanto ele estava retirando as forças dos EUA no Afeganistão, que se encontra em processo avançado de êxodo, deixando milhares de toneladas de equipamentos e afegãos desamparados de segurança e proteção por serem informantes e agentes colaboradores.

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Segundo Biden, “estamos apenas enviando fuzileiros navais americanos à nossa embaixada […] a ideia de enviar forças americanas ao Haiti não está na agenda”, entretanto, diante da recursa, o presidente deixou um respaldo de esperança, dizendo que o envio de tropas ao Haiti não está na agenda por enquanto. Autoridades do Pentágono disseram não ver nenhuma necessidade de enviar tropas ao país caribenho e atualmente instável política e civilmente.

Neste momento, parte dos fuzileiros navais atualmente presentes na Embaixada Americana fazia parte da Unidade de Aumento da Segurança da Guarda de Segurança da Marinha.

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O Ministro das Eleições sublinhou o esforço que o governo e a nação vêm demonstrando na luta contra a revolta criminosa, destacando que o governo está fazendo todo o possível para estabilizar o país, retornar a um ambiente normal e organizar eleições enquanto tenta chegar a um acordo político com a maioria dos partidos políticos.

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O pedido de intervenção dos EUA lembrou o tumulto após o último assassinato presidencial do Haiti, em 1915, quando uma multidão enfurecida arrastou o presidente Vilbrun Guillaume Sam para fora da embaixada da França e o espancou até a morte.

Em resposta, o presidente Woodrow Wilson enviou fuzileiros navais ao país, justificando uma ocupação militar americana – que durou quase duas décadas – como uma forma de evitar a anarquia.

Com informações complementares da Reuters, USSecr.State, APNews, Felipe Moretti, via Redação Área Militar



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