Presidente da Comissão Islâmica na Espanha é preso por associação com organizações terroristas

Imagem de Adlbi Adlbi em companhia de personalidades politicas do mundo àrabe. Imagem ilustrativa via Voice of Europe.

O presidente da Comissão Islâmica da Espanha foi preso pela Polícia Nacional no âmbito de uma operação antiterrorista lançada em 2019, informou o El Confidencial nesta quarta-feira.

Aymen Adlbi, 74, de origem síria e apreciado pelos círculos de poder espanhóis, é acusado pelo ministério público espanhol de organizar operações de apoio operaciona e de “financiar grupos jihadistas na Síria” e Europa.

A CIE é um órgão oficial e interlocutor do Estado espanhol em tudo o que se relaciona com a comunidade muçulmana ibérica.

Aymen Adlbi, que tem sido o principal interlocutor do Estado desde que foi eleito chefe da CIE no ano passado, é acusado de crimes de associação a uma organização criminosa, de colaboração com uma organização terrorista, de financiamento do terrorismo, tráfico de drogas e armas, tráfico humano e pedofilia, lavagem de dinheiro, evasão fiscal, falsificação de documentos e promoção da imigração ilegal, segundo fontes da Polícia Federal Espanhola antiterrorismo.

Outras dezenas de suspeitos de associação com o terrorismo islâmico foram presas durante a operação na Espanha e outras dezenas de mandatos de prosão expedidas à países vizinhos como a França e Portugal.

Mesmo que ele venha a receber liberdade provisória , esta prisão reacende a corrida para assumir o controle da Comissão Islâmica na Espanha. Os contatos já começaram entre os líderes da comunidade muçulmana na Espanha para preparar a sucessão de Aymen Adlbi.

Espanhóis de origem síria e marroquina e, em menor medida, paquistaneses estão de olho no posto. A não ser que Madrid opte pela solução de um espanhol convertido ao Islão e familiarizado com o funcionamento da CIE.

O médico de origem síria, chefe do Islã na Espanha, preso na noite de terça-feira passada, vivia na Espanha pelo menos desde 1970. O Ministério da Justiça lhe concedeu a nacionalidade em 1993 em condições que são questionadas até hoje pela justiça espanhola.

As investigações também encontraram muitas ligações entre as organizações terroristas financiadas pelas empresas de Aymen Adlbi e seus sócios e as ONG’s de resgate de imigrantes ilegais no Mar Mediterrâneo, muitas das quais já estão sendo investigadas e pelo menos três já estão comprovadamente condenadas por tráfico humano, tráfico de drogas e apoio à organizações terroristas.

Adlbi assumiu a presidência da CIE em julho passado. Passaram-se dois meses após a morte do que fora presidente, o também médico sírio Riay Tatary . Todas as comunidades religiosas islâmicas da Espanha estão representadas na CIE. Tatary era um homem carismático, um representante islâmico histórico, com fortes e reconhecidas raízes sociais e políticas na Espanha, e que era um imã da mesquita do distrito de Estrecho (Madrid).

Seu atual sucessor, Adlbi, é também presidente da União das Comunidades Islâmicas da Espanha (UCIDE), em eterna rivalidade com a Federação Espanhola de Entidades Religiosas Islâmicas (FEERI). Ambas as organizações pertencem à CIE e representam as duas principais facções da comunidade muçulmana na Espanha, com predomínio da primeira, que congrega um maior número de associações.

Desde a morte de Tatary, a mudança da presidência do CIE – que é realizada com a anuência do Ministério da Justiça (Subdiretoria Geral para Relações com Confissões Religiosas) – tem mantido em suspenso agentes de informação das forças de segurança, desde que é uma posição de máxima influência e relevância para o conhecimento e controle da comunidade islâmica na Espanha.

A operação que já resultou na prisão de Adlbi enraíza-se, segundo fontes policiais, com uma anterior, de 2019, em que foram detidos mais dez cidadãos de origem síria. Eles a chamaram de Operação Wamor. Então, os agentes conseguiram desvendar um sistema financeiro clandestino baseado na falsificação de notas fiscais, conceitos e registros de diferentes empresas. Os detidos teriam sacado o dinheiro de cada operação judicial substituindo o valor real da operação na fatura por outro de menor valor. A diferença foi para uma “caixa b” e enviada, em pequenas quantidades e de diferentes maneiras, para a região síria de Idlib, onde alguns dos detidos tinham laços familiares com membros das milícias da Al Qaeda que ali subsistem.

  • Com informações El Pais, Voice of Europe, The Telegraph UK, France Inter via redação Orbis Defense Europe.




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