Situação no Mali e Sahel piorando com retirada da França e avanço jihadista

Imagem ilustrativa, com foto de Frederic Lafargue, em um dos muitos combates acontecidos.

Situação no Mali e Sahel piorando com retirada da França, permitindo avanço jihadista

Em 06 de outubro, um ataque jihadista deixou pelo menos 16 soldados malianos mortos e 17 feridos. No confronto subsequente, pelo menos 30 jihadistas foram mortos, de acordo com um oficial local. Os terroristas estão ligados ao ISIS que agora age diretamente sem “representantes”.

O exército de Mali declarou que as tropas repeliram um “ataque complexo de IED”, referindo-se a um dispositivo explosivo improvisado.

Os soldados do Mali, bem como as forças francesas que os apoiam, e as forças de manutenção da paz das Nações Unidas são frequentemente alvos de grupos armados no centro e no norte do Mali. Obedecendo ordens de seus governos, pouco se faz para revidar…

Todo o Sahel é uma área caótica, entre 5 países, com fronteiras porosas e quase totalmente infestada de terroristas que atormentam civis e saqueiam numerosas aldeias. O centro de Mali se tornou um dos pontos mais violentos do conflito em todo o Sahel, onde assassinatos étnicos e ataques a forças do governo são frequentes.

Em 2 de outubro, um ataque IED em um comboio da ONU por jihadistas desconhecidos deixaram um “capacete azul” egípcio morto. A Missão de Estabilização da ONU para o Mali disse que sua determinação só seria fortalecida por este “ataque covarde”.

Quatro soldados do Mali foram mortos por uma explosão de IED na região em 20 de setembro. Outra emboscada também matou cinco soldados no centro de Mali em 12 de setembro.

Ambos os ataques foram reivindicados pelo Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos, alinhado à Al-Qaeda (GSIM – curiosamente rivais do ISIS) e desconhecidos até então.

O GSIM também disse que foi responsável por um ataque a um comboio de mineração no oeste do Mali em 28 de setembro, que matou cinco policiais.

Em vez de aumentar a assistência e tentar resolver a situação, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou uma grande redução da presença militar da França no Sahel e o fim da operação Barkhane existente lá.

As relações entre Paris e Mali estão tensas desde que dois golpes militares no país do Sahel aconteceram em agosto de 2020, golpes esses que aconteceram justamente por causa do descontentamento dos militares contra o governo civil em sua condução incompetente frente ao combate anti jihad islâmica e outros problemas como corrupção e desmandos.

Mais recentemente, em 06 de outubro, o Mali convocou o embaixador francês sobre as críticas ao governo apresentada pelo Macron.

Na Assembleia Geral da ONU, Choguel Kokalla Maiga, o primeiro-ministro interino do Mali, acusou a França de uma “espécie de abandono em plena fuga”.

Macron respondeu que os comentários de Maiga eram “inaceitáveis” e sugeriu que o governo de Mali “nem mesmo era realmente um”.

Enquanto isso, o Mali recorreu aos mercenários russos do Wagner Group para retomar a luta e fornecer alguma aparência de segurança. Existem numerosos exemplos de trabalho eficaz em países africanos por instrutores e mercenários russos, e o novo governo do Mali espera que o Sahel seja mais um exemplo de sucesso.

Os fatos mais marcantes dessa primeira metade de outubro:

– Em 19 de outubro, o governo de transição do Mali mandatou o Alto Conselho Islâmico para abrir discussões com o braço local da Al-Qaeda, JNIM e Katiba Macina, que controlam partes do território e realizam ataques mortais quase diariamente no norte e no centro do país

– Em 19 de outubro, as tropas francesas mataram uma mulher durante uma operação de reconhecimento perto de Gossi

– Em 12 de outubro, um soldado francês, Andrian Kewelien, foi morto acidentalmente no Mali durante uma operação de manutenção

– Em 2 de outubro, um pacificador egípcio da ONU foi morto e quatro outros ficaram feridos em uma explosão de IED perto da cidade de Tessalit

– Em 6 de outubro, o governo do Mali convocou o embaixador da França para registrar sua indignação com as recentes críticas do presidente francês Emmanuel Macron ao governo do Mali

– Em 7 de outubro, 16 soldados malineses foram mortos e 10 feridos em um ataque com IED na estrada entre Bankass e Bandiagara

  • Com informações France Inter, Voice of Europe, AFP, France 24, C News e STFH Analysis & Intelligence, via redação Orbis Defense Europe/Genebra.



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